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Volta às aulas na Vivendo e Aprendendo, as crianças correm pela grama e encontram seu espaço de vida. Reconhecem seu lugar preferido na árvore da vida: cachos de meninos se penduram nos galhos em meio às folhagens verdes. Turmas coloridas em salas coloridas, crianças que se reconhecem e se conhecem. Uma novidade a cada minuto passa em olhinhos atentos.
Não se sabe muito bem se é ontem ou amanhã. Apenas que os pais não vão gritar “sai daí que você vai caír”, nem acusar a escola de irresponsável por deixar suas crianças subir lá no alto das mangueiras. O coração dos pais vai se encher de emoção pela coragem dos filhos e um medo anão, gêmeo da coragem, apaziguará seus pensamentos. Eles não assinarão declarações de que seus filhos não podem se pendurar em árvores, ou se tornar princesas, sacis ou power rangers.
As crianças aprenderão, em suas pequenas assembleias, a fazer combinados e a cumpri-los. Saberão dizer “não gostei” com voz firme e cara zangada, em vez de bater no colega ou xingá-lo. Seu olhar espantado irá escorregar pela rampa que antes parecia gigantesca e se assegurar da relatividade de todas as coisas.
Os pais e os professores dirão como se consolidou a confiança de que a educação pode ser diferente e que a diferença pode ser construída coletivamente, passada adiante, de boca em boca, de mão em mão, até o âmago do cotidiano; mesmo por meio de gestos descrentes como “isso não vai dar certo”, mas que experimentam fazer; pode ser o trabalho coletivo dos adultos reformando o parquinho da escola num final de semana, sem a presença diretiva de um coordenador que determine o que cada um deve raspar ou pintar; pode ser que na segunda-feira o balanço e o trepa-trepa brilhem de azul e vermelho embalando as crianças que sobem aos Andes ou voam até as nuvens, sob o cuidado educativo de seus professores.
Ainda percorrendo a espiral do tempo, um dos casais fundadores revelará que 28 anos atrás um grupo de pais, movido pela consciência da escola que não queria para seus filhos, se atreveu a criar o novo: um coletivo periodicamente renovado, uma associação na qual as decisões eram e são ainda tomadas em assembleia, pais e professores gerenciando conjuntamente o processo educativo; um lugar de embates e diferenças, de crise e superação, procurando sempre o melhor para a educação das crianças.
Uma escola onde as crianças brincam e os adultos aprendem. Uma escola onde as crianças aprendem e a infância ressuscita em cada adulto. Um lugar que nem parece escola. Ou que é do jeito que todas deveriam ser.
Como é bom começar mais um ano na Vivendo e Aprendendo. |