Futebol, Crítica e Cultura: escolhas da Vivendo para a Copa do Mundo
- Vivendo e aprendendo

- 16 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jun.
Na Vivendo, compreendemos a cultura popular como um ponto potente de letramento e aprendizagem. Inspirados por Paulo Freire, entendemos que educar é proporcionar às crianças a oportunidade de construir sentidos sobre o mundo. E ele, neste momento, também chega através da Copa do Mundo FIFA 2026.

Durante esse período, teremos oportunidade de abordar com as crianças discussões sobre os países participantes, culturas, histórias, migrações, povos originários, diversidade étnico-racial, colonialismo, racismo no esporte, desigualdades sociais e formas de convivência entre os povos. Nossa proposta continuará profundamente amparada nos princípios da educação antirracista e decolonial que sustentam o projeto político-pedagógico da Vivendo.
Sabemos que o futebol mundial não existe separado das relações políticas, econômicas e culturais do planeta. Grandes eventos esportivos movimentam enormes interesses financeiros, midiáticos e geopolíticos. Também por isso, queremos construir com as crianças uma relação crítica com tudo aquilo que atravessa esse universo — inclusive o consumo.
Nos últimos anos, os álbuns de figurinhas e cartas colecionáveis passaram a operar através de mecanismos cada vez mais agressivos de mercado: figurinhas raras, edições especiais, itens difíceis de encontrar, parcerias comerciais, estímulo à compra excessiva e produção artificial de escassez. O que antes era uma brincadeira relativamente acessível tornou-se, muitas vezes, uma prática marcada por frustração, exclusão e consumo desenfreado.
Sabemos que esse fenômeno chega até as crianças. E não pretendemos moralizá-lo, proibi-lo ou produzir culpa. Mas também não queremos naturalizar uma lógica que transforma o desejo infantil em alvo permanente de exploração comercial.
A Vivendo faz, historicamente, escolhas pedagógicas que caminham na contramão de uma sociedade cada vez mais competitiva, acelerada e consumista. Desde sua criação, em 1982, nossa associação escolheu construir alternativas educativas baseadas na cooperação, no associativismo, na autonomia, na escuta e na construção coletiva da vida comum.
Por isso, decidimos combinar com as crianças que figurinhas, cartas e materiais relacionados à Copa poderão ser trazidos apenas às segundas-feiras, no nosso tradicional “dia da novidade”. Nos demais dias, esses materiais permanecerão em casa ou guardados na mochila.
Essa escolha não busca criar contornos mais críticos para que o tema possa existir sem ocupar todos os espaços da vida coletiva da escola. Além disso, iremos abordar com elas questões importantes relacionadas ao consumo, às trocas, à publicidade, à frustração, ao desejo e às formas mais solidárias e cooperativas de brincar.
Seguiremos defendendo que a infância precisa de tempo para imaginar, inventar, correr, criar vínculos, elaborar conflitos e experimentar o mundo para além das dinâmicas de compra e acúmulo.
Com carinho,
Equipe Pedagógica da Vivendo e Aprendendo



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